• por Anelise Freitas

Uma livraria toda nossa

Gato Sem Rabo e Dita Livros: livrarias com catálogo excluso publicado por mulheres



Virgínia Woolf, em seu famoso ensaio, que em algumas traduções brasileiras ganhou o título de Um teto todo seu, nos mostra que as escritoras sempre existiram antes mesmo do que chamamos literatura. É por isso que sempre digo que não faltam mulheres escrevendo, mas sim oportunidades de divulgação do que se produz. Foi por isso que em 2018, junto a outras três escritoras, formamos o coletivo editorial Capiranhas do Parahybuna. Nosso objetivo era ter mulheres por trás do processo editorial: editando, divulgando e lutando dentro do mercado editorial por mais oportunidades para as mulheres. Outras iniciativas trabalham com o mesmo objetivo. Como as livrarias Gato Sem Rabo e Dita Livros, que surgiram com o objetivo de trazer à luz mais e mais publicações de mulheres.


A livraria Gato Sem Rabo, que foi inaugurada em abril deste ano, em São Paulo, foi idealizada pela empresária Johanna Stein e conta com mais 1.500 títulos em diversas categorias, como ficção, não ficção e literatura infantil. Já a Dita Livros, realizada pela jornalista e editora Luciana Benatti, trabalha com publicações de mulheres e pessoas LGBT+ exclusivamente em vendas online. Mais que um negócio, essas livrarias representam uma rede de apoio dentro do mercado editorial. É preciso ressaltar que esses empreendimentos, além da visibilidade dada às mulheres, são geridos também por mulheres, que fazem a curadoria de seus catálogos.


No caso da Gato Sem Rabo há ainda o espaço físico, que pode representar um lugar para encontros ligados à produção de pensamento sobre os problemas de gênero (assim que todo mundo estiver vacinade, ok?). Ou seja, além de dar uma grande guinada no mercado editorial, ao focar em um nicho muito interessante do ponto de vista comercial, essas livrarias têm um cunho político, como Luciana Benatti deixa claro em entrevista concedida ao podcast do site PublishNews. Assim, é difícil a gente pensar qualquer aspecto do mercado editorial sem seu cunho político.



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