• por Anelise Freitas

Preparação e revisão de texto: como diferenciar?

Atualizado: Jan 25

No meio editorial essa delimitação é mais fortemente marcada, enquanto no trabalho com os textos acadêmicos, por exemplo, que serão encaminhados às bancas de defesa e aos bancos de teses, essa distinção não acontece de forma tão declarada. Muitas vezes acabamos chamando de revisão o trabalho que é, na verdade, a preparação de um texto. Por esse motivo, resolvi organizar um post para elucidar um pouco da diferença entre essas duas práticas muito comuns na vida da revisora.



Essa diferença fica mais explícita no contexto editorial, pois a preparação do original é feita antes do material ser diagramado, ainda no formato de Word e editores de textos similares. O cliente sempre deve receber uma cópia em que possa ver todas as alterações feitas pela preparadora. Sempre envio duas versões: uma com as marcações das alterações e as emendas; outra, que chamo "versão limpa", com as alterações já efetuadas e as emendas.


Você já deve ter lido ou ouvido outro nome para a preparação do original: copydesk, ou no português copidesque. É nessa etapa que o texto vai passar por um pente fino, a fim da averiguação da adequação de seus elementos coesivos e de coerência; e identificação de outras possíveis inadequações. A leitura criteriosa e, consequentemente, as sugestões da preparadora proporcionarão uma maior fluidez ao texto, por isso, é comum que nessa fase o texto receba diversas emendas com dicas, sugestões e dúvidas.


Quando se trata da preparação de um original que foi traduzido, o trabalho envolve ainda o cotejo entre versões. Nesse caso, além de todo o trabalho já citado, a preparadora deve analisar se não há algum salto ou expressões traduzidas de maneira equivocada e descontextualizadas. Nesse estágio do trabalho, é importante que a preparadora faça também observações estilísticas sobre o texto. O cotejo é também utilizado para identificar saltos entre a preparação e a diagramação, então, é comum observar seu uso na etapa da revisão, que é o próximo tópico deste texto.



Depois de inserido no projeto gráfico o texto já está diagramado e é, então, enviado para a revisão textual. A revisora deve, nessa fase, se preocupar com possíveis gralhas e com a adequação gráfica e ortográfica do texto. A revisão é parte fundamental dos trabalhos de uma editora, por isso, o mesmo texto pode passar por mais de uma revisora, o que chamamos de revisão de provas. Assim, até ir para a gráfica, o texto vai sendo lapidado para chegar às mãos dos leitores com pouquíssimos - sempre bom lembrar que somos humanas - ou nenhuma inadequação.


A revisão é feita em material impresso ou no formato digital, desde que seja em um arquivo fechado, como o pdf. Nesta parte, conforme dito anteriormente, o material já foi diagramado, então, não é permitido fazer grandes alterações. Desta forma, a revisora vai conferir possíveis erros no arquivo diagramado, como, por exemplo, se números de páginas concidem com o índice e se há alguma inconformidade pontual no texto.


Obviamente, no trabalho cotidiano, a divisão não é tão bem delimitada. E, dessa forma, é importante a gente saber sobre esses processos, pois esse é um dos elementos que promove a execução de um trabalho com qualidade. Quando um cliente sabe o que está contratando sabe também o que esperar da revisora. Existem muitos textos que explicam essas distinções e este aqui é só mais uma singela contribuição porque percebo que essa deveria ser uma especificação do orçamento e muitos clientes não sabem que ela existe ou quais são as suas diferenças e limitações.


PARA SABER +

MACHADO, Carolina. Manual de sobrevivência do revisor iniciante. Belo Horizonte: Moinhos, 2018.

Glossário:


Diagramado: texto que foi editorado, isto é, disposto graficamente em um arquivo que é a matriz digital de impressão.

Emendas: sugestões que uma preparadora insere no texto para dialogar com o/a autor/a.

Cotejo: comparação entre dois textos, normalmente feita entre a tradução e o original; mas pode ser feito entre dois arquivos do mesmo texto para evitar saltos.

Salto: parte que foi, de maneira equivocada, suprimida no texto a ser preparado gerando problemas de coesão e coerência.

Gralhas: erros tipográficos como repetição ou supressão de tipos.

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