• Matinta Editorial

FRELA, AUTÔNOMA OU EMPREENDEDORA? - SERÍAMOS TRABALHADORAS?



Job é um jargão que eu trouxe da publicidade e propaganda. A gente chamava ~carinhosamente~ de PP. Eu me formei em comunicação social com habilitação em publicidade e propaganda em 2011. Carreguei esse diacho de palavra comigo: job. Da língua inglesa, a palavra, em nossa terra, designa também um trabalho temporário que é executado por quem também prospecta o cliente. Embora essa seja a palavra que eu use para especificar como é o tipo de trabalho que executo, sinto que ainda falta alguma coisa nessa definição. Job, uma palavra de outra língua, tem um gostinho de colonização; soa como um triste eufemismo, um jeito de dizer que tenho um trabalho precarizado que não me oferece nenhum direito trabalhista e nem faz de mim uma super empresária (nem faz de mim uma pequena burguesa).


Há quem prefira o termo freela/frela/frila, ou freelancer. Outra palavra da língua inglesa, trazendo mais uma vez a azia do colonialismo para dizer que alguém tem um trabalho pelo qual prospectou. Um dos sentidos que esta palavra denota é o de liberdade: trabalhador independente. Ao pregar que o sujeito frila se autoemprega, a expressão cria a falsa sensação de que somos livres para prospectarmos os clientes que quisermos, fazermos os trabalhos que desejarmos e, até mesmo, ganharmos o salário que escolhermos. Assim, na meritocracia! Mas acredito que não seja bem assim que a banda tenha tocado aqui para esses lados.


Chegamos, então, a uma terceira designação para o tipo de trabalho que executamos - nós, revisores, tradutores, editores, redatores, roteiristas etc.: o trabalho autônomo. Finalmente, uma palavra em língua portuguesa para designar o que fazemos. Entretanto, é mesmo autonomia o que temos nesse tipo de trabalho? Sei lá, mas me parece que não.


Não somos empreendedoras. Não somos frelas. Não somos autônomas. Somos trabalhadoras. Somos trabalhadoras do texto.


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