• por Anelise Freitas

Escrita: como começar um texto?

Atualizado: 3 de Out de 2020

Recentemente, tenho tentado me localizar como profissional, afinal, sou formada em Publicidade e Propaganda, Letras, com Pós-graduação em literatura, já trabalhei como balconista de videolocadora, em agência de propaganda, como professora, como editora, já publiquei livro, escrevi material didático. Ou seja, fiz muita coisa. Então, qual é a minha profissão? Vou deixar para me aprofundar sobre esse assunto em outra oportunidade, mas cheguei à conclusão de que sou uma profissional bastante arrojada e concentro conhecimentos em diversas áreas afins. Hoje, eu queria falar um pouco sobre quando tentei escrever este texto sobre minha vida profissional, mas não conseguia. No afã de escrever, tive um bloqueio e não sabia como começar o texto, não sabia qual tom queria dar às palavras. Foi aí que me dei conta de que este seria um ótimo assunto para inaugurar o Blog da Matinta: como a gente faz para começar a escrever um texto? Eu decidi começar a escrever um texto sobre escrever um texto e tenho 5 dicas para te ajudar a começar também. Vem comigo?




Percebi que o mais difícil é dar o primeiro passo. O primeiro passo é aquele que desloca a gente, que faz movimentar; os outros seguem o fluxo daquilo que se fez primeiro. Por isso, a gente trava, mas é importante ensaiar um começo. Eu acho que você deveria começar como eu comecei este texto aqui (e esta é a minha primeira dica): coloque as ideias no papel. Note que eu não disse para você começar a escrever seu texto. Aqui, você tem que fazer um exercício de criar uma nuvem de palavras, palavras-chave e tudo que surgir desse brainstorming. Se você está escrevendo sobre mercado editorial no Brasil, por exemplo, talvez seja interessante pegar papel e lápis e começar a escrever palavras soltas, mas que tenham relação com o tema. Livros. Editoras. Papel. Feiras. Fanzine. Livrarias. Leitores.


A partir daí, vamos para a segunda dica, que é, basicamente, como organizar essas palavras. Depois de escrever todas as palavras e esgotar as ideias, você pode começar a criar relações entre elas. Seguindo ainda o nosso exemplo sobre mercado editorial brasileiro, começo criando algumas frases soltas e expressões, como: Editoras independentes. Crise de grandes editoras e livrarias. Ponto de venda online. Fanzines. Essas podem ser algumas ideias para dispor no papel. As editoras independentes usam muito o meio de venda online. O fanzine barateia os custos de divulgação de uma obra. Os fanzines são vendidos de mão em mão, não em grandes livrarias e nem são publicados por grandes editoras. E, por aí, vai... A sugestão é que a partir das palavras você consiga organizar ideias, conceitos. Lembre-se, isso já é escrever!



A terceira dica é muito simples e eu vou dizer de pronto: tenha um caderno (e uma caneta). E, principalmente, escolha um caderno e uma caneta que sejam confortáveis, porque você precisa escrever quando surge uma ideia e essa, na maioria das vezes, se perde se você não anota na hora. Então, a caneta deve proporcionar, além do conforto na escrita, uma agilidade para que você não perca suas ideias. E o caderno deve ser de um tamanho que caiba em qualquer bolsa ou mochila, por exemplo. E aí vem a minha quarta dica, que é: escreva em qualquer lugar. E, pra isso, o caderno deve sempre estar com você. Por mais que a gente tenha uma rotina de escrita, nem sempre as ideias vêm na hora que a gente senta para escrever. Às vezes, é melhor começar da maneira que é possível. Filhos brincando? Escreva. Pessoas conversando? Escreva. Depois, claro, é bom sempre voltar ao texto. Sobre isso, é interessante ler o que Gloria Anzaldúa, pensadora norte-americana, mulher chicana, diz em seu texto “Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo”, sobre o ato de escrever:

Esqueça o quarto só para si — escreva na cozinha, tranque-se no banheiro. Escreva no ônibus ou na fila da previdência social, no trabalho ou durante as refeições, entre o dormir e o acordar. Eu escrevo sentada no vaso. Não se demore na máquina de escrever, exceto se você for saudável ou tiver um patrocinador — você pode mesmo nem possuir uma máquina de escrever. Enquanto lava o chão, ou as roupas, escute as palavras ecoando em seu corpo. Quando estiver deprimida, brava, machucada, quando for possuída por compaixão e amor. Quando não tiver outra saída senão escrever (Gloria Anzaldúa).


Confira ainda o que diz a também norte-americana Natalie Goldberg, autora que se dedica a ensinar a escrita criativa através de suas publicações, em seu livro "Escrevendo com a alma".


Pense também no caderno. É importante. Ele é o instrumento de trabalho do escritor, assim como o martelo e o prego são as ferramentas do carpinteiro. (Veja que sorte: com um investimento baixíssimo você já abre seu negócio!) Algumas pessoas optam por cadernos caros de capa dura, mais volumosos e pesados — e tão elegantes que você se sente obrigado a escrever algo bom. Mas o importante é que você se sinta livre para escrever as maiores bobagens sem nenhum constrangimento. Dê-se o espaço necessário para explorar o texto. Um caderno espiral, daqueles baratos, proporciona a sensação de que logo poderemos completá-lo e comprar outro em seguida. E também é fácil de carregar. Sempre compro bolsas com o tamanho apropriado para acomodá-lo (Natalie Goldberg).

Só discordo sobre a bolsa, pois eu acho que o caderno deve se adequar ao nosso modo de vida (e aqui eu falo economicamente, pragmaticamente, socialmente, etc.), e não ao contrário. Por que eu compraria uma bolsa somente para usar um caderno se eu posso comprar um caderno que caiba na minha bolsa?


Finalmente, a quinta e última dica. Escreva, escreva e escreva. No final, é melhor ter um grande volume de texto e ir cortando os excessos, do que não ter texto algum. Escreva, mesmo que você ache que o que está escrevendo não tem nada a ver com o que se comprometeu quando começou a escrever. E quanto mais a gente escreve, mais fácil será escrever o próximo texto.


Essas são dicas que eu mesma siga quando preciso ou quero escrever um texto, mas não sei como dar os primeiros passos. Eu escrevo, principalmente, textos críticos e poesia, e sei que funcionam bem comigo. Claro, cada pessoa tem seu estilo, gêneros preferidos ou simplesmente trabalham com a escrita de gêneros diversos, mas essas dicas servem para um primeiro passo, e esse primeiro passo pode ser para qualquer texto.


E aí, 'bora escrever?


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