• por Anelise Freitas

As livrarias vão acabar?



Quando, em 2020, grandes livrarias, como a Cultura e a Saraiva, declararam seus apuros financeiros, isso pareceu assustador para o mercado editorial. Se as pequenas livrarias já vinham sofrendo com a baixa do mercado, ouvir das grandes que a crise havia chegado até elas era sinônimo de que todo o mercado corria risco. O primeiro fator que influencia na queda das vendas é o comportamento do consumidor. Toda empresa observa esse fator para continuar operando. As livrarias, notando as primeira mudanças, começaram a vender outros produtos (como cadernos, DVD's, etc.). Atualmente, notando mais uma mudança de comportamento, as livrarias têm observado que seu público, muitas vezes, prefere ler em suportes eletrônicos e comprar livros físicos pela internet.

Além da notória falta de incentivo à leitura e à produção editorial no Brasil, às políticas públicas e ao letramento, outro fator para a crise tem sido a pandemia. As livrarias tiveram que fechar suas portas e os leitores compraram ainda mais pela internet, tantos livros físicos como e-books. Qualquer comércio que não tenha se adaptado ao mundo pandêmico foi afetado de maneira muito mais pungente.


Obviamente, falta-me embasamento econômico para afirmar se as livrarias estão com os dias contados ou não, mas não me falta a presença no mercado editorial. O 11.º Painel do Varejo de Livros no Brasil de 2020, elaborado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), apontou um aumento de mais de 20% na venda de livros em 2020. Dessa forma, tenho sentido que as pequenas editoras continuam surgindo a todo vapor e os livros continuam sendo vendidos, enquanto, no mesmo ritmo, as grandes livrarias continuam fechando suas portas; ou seja, os livros não deixarão de existir e resistir.

Talvez seja o tempo das pequenas editoras e pequenas livrarias. A impressão sob demanda, que possibilitou uma certa democratização na edição e produção de livros, atende a estes pequenos espaços livreiros. Talvez não seja o fim das livrarias, mas sim o fim de grandes redes de livrarias. Parece-me completamente possível que, juntos, editoras e livrarias de pequeno porte determinem a manutenção da cultura livreira. De qualquer forma, se as grandes livrarias querem se salvar, devem voltar sua mirada para as pequenas editoras, pois é de lá que tem vindo muita vivacidade para a construção da nova fase do mercado editorial brasileiro.


Precisamos saber para onde olhar, talvez essa seja a solução para o mercado livreiro.



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